quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ex-Presidente da Eletrobrás do governo Lula critica Dilma e sua política para o setor elétrico


Ex-presidente da Eletrobras no governo Lula disse que projeto de Dilma está errado

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, nesta quarta (21), o diretor da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletrobras no governo Lula, Luiz Pinguelli Rosa, afirmou que a “queda de 20% para a indústria é ficção e o consumidor não vai sentir os 16% prometidos por Dilma”.

De acordo com Luiz Pignelli, as medidas propostas por Dilma para o setor elétrico não irão reduzir os preços, inviabilizarão novos investimentos nas empresas geradoras de energia e irão gerar desemprego e produzir “sucessivos apagões”.

Leia a entrevista completa de Luiz Pinguelli Rosa.


Governo deve rediscutir tarifas de energia, diz ex-presidente da Eletrobras
DENISE LUNA
DO RIO

O diretor da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, apoia a briga da presidente Dilma Rousseff para reduzir as tarifas de energia elétrica, mas defende que o governo antes apure a receita mínima que as empresas do setor precisam para se manterem competitivas, sob risco de o país voltar a conviver com sucessivos apagões, como já vem ocorrendo em pequena proporção.

Opinião: MP da energia quebra contratos e joga a conta para os Estados

Para Pinguelli, a queda do preço da luz deveria vir pela redução de mais encargos, principalmente estaduais, que segundo ele "escorjam as empresas elétricas".

O acadêmico vê a privatização como a origem do mal das tarifas altas, comprovada pelo último ajuste da Light, de 11,8%, mas diz que o mal agora é a falta de debate, inclusive por parte dos movimentos sindicais, porque haverá demissões.

Para ele, a queda de 20% para a indústria é ficção e o consumidor não vai sentir os 16% prometidos por Dilma, já que a conta de luz em 2013 vai subir pelo grande uso de usinas térmicas neste ano.

Folha - O senhor já participou do governo e presidiu a Eletrobras. Como está vendo essa polêmica criada em torno da redução de tarifas?

Luiz Pinguelli Rosa - O princípio de reduzir tarifas é correto, porque nossa tarifa é caríssima. O problema veio com a privatização. Os contratos, principalmente para a distribuição de energia, onde as maiores empresas foram privatizadas, como Light, CPFL, Eletropaulo, foram muito favoráveis a essas empresas, porque a ideia era atrair o capital estrangeiro. Tem correções que são muito altas, como essa da Light. Mas isso é só um pedaço da história. O outro pedaço são os encargos, que muitos deles deveriam ir para o Tesouro e vão para o consumidor, como o Luz para Todos, o Sistema Isolado. E, finalmente, os impostos estaduais, esses são os piores, os Estados escorjam as empresas elétricas.

O consumidor residencial brasileiro chega a pagar, no caso da classe média, quando não tem tarifa social, cerca de R$ 400 reais o MWh, mas a geração custa R$ 68 o MWh, como está sendo em Belo Monte [hidrelétrica em construção no Norte do país].

Onde o governo errou?
Faltou debate, os prazos são muito apertados e o cálculo das tarifas [para redução] foi feito como se cada usina tivesse uma tarifa individual, mas há uma questão sistêmica, o Brasil tem um território enorme, essa energia viaja numa distância enorme. Furnas tem linhas enormes de transmissão, isso vai inviabilizar a engenharia de Furnas.

E qual seria a solução?

O governo deve voltar atrás, rediscutir as tarifas e talvez atacar por outro lado. Tem que discutir qual a remuneração necessária mínima para ter uma sobrevivência econômica adequada das empresas.
Não é uma questão de lucratividade, eu não estou preocupado com a lucratividade do investimento, mas com a viabilidade da empresa. Se a lucratividade for negativa a empresa é inviável. E vai se perder competência técnica, porque com essa tarifa nova Furnas vai ter que demitir engenheiros, vai perder memória técnica e piorar a performance delas, que já não está boa.

Mas as demissões não teriam reação por parte dos trabalhadores, principalmente de Furnas, que na época da privatização reagiram e conseguiram reverter o processo?

O ator que está faltando nesse debate é o movimento sindical, que já foi atuante e agora está enfraquecido. Houve uma acomodação muito grande dos sindicalistas, porque o governo tem origem sindical, os sindicalistas se sentem governo e ficaram mudos. Não sei como esse jogo vai acabar.


Mas a Eletrobras, que é a principal geradora, já concordou em aderir.

Ela só pode aderir, ou o cara perde o emprego. As federais todas vão aderir. Mas você pega por exemplo Furnas. A energia gerada tem preço médio vendido de R$ 80 o MWh. Metade das usinas de Furnas são amortizadas ou quase amortizadas, ou seja, ela vai passar a ter um valor médio de R$ 5 o MWh para essas usinas e continuar vendendo metade por R$ 80. Então Furnas vai ter um preço médio de R$ 40 o MWh, a receita da empresa vai se reduzir brutalmente.

A Eletrobras vai ter dificuldades, ela controla Furnas, Chesf e Eletronorte, todas vão ter dificuldades enormes, eu acho que vai haver problemas muito sérios.


O que pode acontecer?
Já estão acontecendo problemas, isso é falta de engenharia. O que vai haver é que não vai ter como operar o sistema todo, o país é imenso, como fazer a manutenção da linha, dos transformadores, eles já estão tendo problemas. O Zimmermann [Márcio Zimmermann, ministro interino de Minas e Energia] fez uma declaração que o último apagão foi um erro técnico. Isso é falta de engenharia, isso vai piorar, e muito.

Em contrapartida os preços das tarifas vão cair, ou não?

Na indústria esse número de 20% é fictício, não existe uma tarifa para energia da indústria, ninguém sabe como isso vai ser aplicado. Trinta por cento de energia elétrica da indústria brasileira são de consumidores livres, que compram diretamente dos geradores, produtores, em contratos confidenciais, e com certeza é bem menor do que a gente paga.
Nas residências esses 16% prometidos pela Dilma também não vão existir. Com o despacho das termelétricas esse ano, a conta vai subir bem no ano que vem, não vai dar para sentir os 16%.

E como a maioria das usinas não vai aderir ao plano do governo, o governo vai ter que licitar e as tarifas vão continuar altas, porque quem comprar vai ter que amortizar o investimento.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo




21 de novembro de 2012

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Aécio denuncia descaso do governo para com o setor elétrico nacional







Fonte: Folha de S.Paulo online

Link: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/aecioneves/1184038-energia.shtml



Energia – Coluna de Aécio Neves



Aécio Neves



12/11/2012 - 03h30



Ninguém questiona a necessidade de redução do custo da energia elétrica no Brasil. Mas já sabemos que a MP 579 vai muito além disso, alterando o marco regulatório do setor elétrico brasileiro. Como aponta o ex-ministro João Camilo Penna, o governo teria outras formas mais diretas para diminuir o valor das contas de luz pagas pelos consumidores, como uma maior redução de impostos. O caminho escolhido é complexo e, por isso, merece ser debatido com cautela, sem arroubos de intolerância.



Não é justo com o país reduzir medidas com desdobramentos tão amplos a um falso maniqueísmo que tenta colocar, de um lado, os que querem baixar o valor da conta de luz e, do outro, apresentar os que propõem o debate como meros defensores de interesses das empresas do setor.



Mais uma vez, pontua-se a forma desrespeitosa com que o Planalto trata o Congresso, ao fixar prazos que impedem a correta discussão do tema no Parlamento, alijando-o da sua legítima participação em decisão dessa envergadura.



Segundo especialistas, a MP 579 traz conteúdo que ignora a necessidade de expansão do setor elétrico, afugentando investidores e descapitalizando perigosamente as concessionárias. Ninguém sabe onde buscar os recursos para o acréscimo de 5 a 7 mil MW a cada ano necessários ao crescimento da economia.



Hoje o país está ameaçado de viver uma crise de abastecimento que poderia ser evitada se pudéssemos contar com mais 3,3 mil MW, caso as termoelétricas, vencedoras dos leilões de 2005, estivessem aptas a entrar em operação, mas esses projetos ou foram cancelados ou estão atrasados.



Considerando essas usinas canceladas e outras previstas para entrar em operação nos próximos anos, cujos projetos foram abandonados, temos quase 6 mil MW de redução na expansão esperada de geração, causando uma enorme incerteza quanto ao atendimento do mercado futuro.



A energia produzida por parques eólicos no Nordeste é uma alternativa com a qual ainda não podemos contar, pois as linhas de transmissão que deveriam conectá-la ao sistema não foram concluídas pelo governo federal. Essa falta de planejamento provocou o aumento do custo no mercado de curto prazo. No inicio do ano, o custo da energia no mercado livre era R$ 12,20 e agora chega a R$ 400,00.



Insisto: o tema é complexo e deve ser amplamente discutido também para que não seja aberto um precedente em relação à credibilidade dos marcos regulatórios no país.



Nos últimos anos o governo não deu atenção ao ponto mais importante para reduzir o custo da energia: um planejamento capaz de garantir a ampliação da oferta. E, como dizia o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, "energia cara é aquela que não existe".



AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras nesta coluna.



Aécio Neves é senador pelo PSDB-MG. Foi governador de Minas Gerais entre 2003 e 2010. É formado em economia pela PUC-MG. Escreve às segundas-feiras na página A2 da versão impressa.








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