quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Apagão do PT: ONS confirma que Aécio Neves esta certo



Apagão do PT: Aécio Neves estava certo, confirma ONS


No dia que a polêmica MP 579 é aprovada, diretor-geral da ONS confirma que país não está sistema elétrico brasileiro não está seguro



Muitos especialistas e alguns políticos, como Aécio Neves (PSDB), já alertavam que o apagão do PT acontecia pela falta de investimentos do governo federal no sistema elétrico brasileiro. E no dia em que a : MP 579 foi aprovada por pressão do Palácio do Planalto, colocando em risco as empresas do setor energético, o diretor-geral da Operadora Nacional do Sistema Elétrico (ONS) confirmou: “sistema seguro só com luz mais cara”.

CLIQUE AQUI E LEIA REPORTAGEM DO JORNAL FOLHA S. PAULO COM AS POLÊMICAS DECLARAÇÕES DO DIRETOR-GERAL DA ONS


A reportagem também traz uma cronologia dos apagões do PT:


22/9 - A queima de um transformador na subestação de Imperatriz (MA) interrompe o fornecimento em 11 Estados das regiões Norte e Nordeste. O secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Ildo Grüdtner, afirma que não há falhas na manutenção das empresas de energia e que as fiscalizações estão em dia.

3/10 - Incêndio na hidrelétrica de Itaipu (PR) deixa parte das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além dos Estados do Acre e Rondônia, sem energia por cerca de meia hora. O presidente do ONS, Hermes Chipp, qualifica o ocorrido como um "apaguinho".

26/10 - Falha na manutenção de equipamentos da subestação de Colinas (TO) deixa pela segunda vez o Nordeste e parte do Pará e Tocantins, às escuras. Governo afirma que houve falha humana e que sequência de falhas de fornecimento de energia não é normal.

15/12 - Um raio atinge a linha de transmissão entre Emborcação e Itumbiara, em Goiás, e deixa sem energia cidades do Acre, de Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Apagão de teve origem em usina de Furnas, diz Ministério de Minas e Energia.


Pelo visto, mesmo que a presidente Dilma Rousseff não queira encarar o problema de frente, o apagão do PT continuará, como alertou o senador Aécio Neves.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Aécio denuncia a forma eleitoreira de Dilma tratar a questão da energia elétrica



Comentário: 
Nesse artigo da Folha de São Paulo, o Senador Aécio Neves nos diz da atitude eleitoreira da Presidente Dilma e combate a forma pela qual ela agora quer resolver a sua promessa de campanha: Remunerando menos e comprometendo o equilíbrio da empresas elétricas. Aécio Neves é plenamente a favor de se baixar a conta da luz, tanto para a indústria como para as residências. Aécio que baixar os altíssimos impostos federais que incidem no custo final da conta.
O Brasil é o campeão mundial de impostos. Aécio Neves luta contra essa terrível situação.
Leiam o artigo abaixo: ink: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/aecioneves/1198626-energia-no-palanque.shtml


Energia no palanque

Aécio Neves


Pouco antes das últimas eleições, a presidente Dilma Rousseff anunciou, em rede de rádio e TV, a decisão de reduzir em 20%, em média, a conta de luz dos brasileiros. Por mais que ficasse claro o viés eleitoral de uma medida a ser implementada apenas seis meses depois, ela mereceu aplauso de todo o país. A grande surpresa veio com a edição da medida provisória 579, que altera radicalmente o marco regulatório do sistema elétrico nacional.

Graves equívocos permeiam a proposta. A começar por reduzir a poucos gabinetes a responsabilidade por mudanças tão profundas, ignorando o Congresso, as empresas do setor, especialistas e vozes qualificadas do seu próprio partido e do governo, alijadas do processo.

A retórica não conseguiu esconder o alto risco que as mudanças carregam. Entre os que se levantam para alertar o governo está a voz corajosa do professor Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras no governo Lula. Ele, como todos nós, concorda com a necessidade de redução do custo da energia, mas alerta que as medidas anunciadas não conseguirão alcançar esse objetivo; que a capacidade de investimento das empresas (leia-se ampliação da oferta, qualidade e segurança dos serviços) ficará comprometida, havendo o risco de desemprego no setor. Ou seja, no fim, quem vai pagar a conta --alta-- é a população. A energia mais cara é aquela que o país não tem.

Com dificuldades de enfrentar críticas e o debate à luz do dia, o PT optou, mais uma vez, pela conveniência de torcer a realidade para que ela ganhe os contornos que lhe interessam. Sem argumentos, preferiu estimular a desinformação criando um mantra a ser repetido com ferocidade pela claque Brasil afora: "O PT quer baixar a conta de luz e o PSDB não deixa!"

Mentem. Na velha tese de que os fins (a permanência do partido no poder) justificam os meios, legitimam a mentira como arma do embate político e desrespeitam os brasileiros, em nome de quem dizem agir.

Pouco importa a desconfortável constatação de que governos do PSDB, como São Paulo, Paraná e Minas Gerais, pratiquem a isenção de impostos nesta área em patamares superiores à de governos do PT. Em Minas, metade das famílias não paga ICMS nas contas de luz. Tampouco que as oposições venham há muito cobrando redução dos cerca de dez tributos federais incidentes sobre a conta de luz.

É o velho PT agindo como sempre fez. Em época de crise, invente um inimigo e desvie a atenção dos seus problemas. Aí está, de novo, o discurso do nós --os bons-- contra eles --os maus. O governo começou a tratar esta questão, tão séria e complexa, em cima de um palanque e, infelizmente, ainda não desceu dele. O país não merece isso.

AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras nesta coluna.
Aécio Neves é senador pelo PSDB-MG. Foi governador de Minas Gerais entre 2003 e 2010. É formado em economia pela PUC-MG. Escreve às segundas-feiras na página A2 da versão impressa.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Técnicos de Lula condenam política energética de Dilma


MP 579: “Pior que kWh caro é a falta de energia que ocorrerá no futuro”, alertaram os técnicos sobre os riscos da proposta do governo.

MP do setor elétrico: em debate redução da conta de luz

Fonte: Folha de S.Paulo e O Globo
 MP 579: Técnicos de Lula são contra Dilma e falam em apagão
MP: 579 - Pingelli explicou que na carta o grupo apresenta uma proposta que permitirá redução substancial nas tarifas de energia, sem contudo, comprometer a situação financeira das empresas.
MP 579 – Não é de espantar a falta de bom senso do Governo do PT a lidar com a imposição das mudanças no setor elétrico. A posição da presidente Dilma em reduzir a conta de luz contraria até o grupo de assessores que atuaram no Governo Lula, especialistas em energia. Em carta encaminhada ao Planalto, os especialistas no setor elétrico brasileiro pedem revogação da MP 579 e a proposição de um projeto de lei. Os técnicos afirmam que há risco de o país passar à conviver com onda de apagões.
Segundo o senador Aécio Neves, o Governo do PT nunca se preocupou com a redução de encargos para reduzir a tarifa da conta de luz.
“O governo do PT demorou doze anos para estar atento a essa questão e, quando busca fazê-lo, faz de forma atabalhoada. Talvez devesse ouvir o grande guru petista do setor, o senhor Luiz Pinguelli Rosa, que foi presidente da Eletrobras no governo Lula e que chamou essa MP de Dilma de equivocada porque não leva em consideração a necessidade das empresas continuarem investindo”, argumentou Aécio.
De acordo com matéria publicada pela Folha de S.Paulo e O Globo, os especialistas e acadêmicos liderados por Luiz Pinguelli Rosa solicitam recuo do governo em relação às mudanças no setor elétrico por meio da MP 579. As perdas das concessionárias de energia podem chegar a mais de R$ 8 bilhões.
Leia trecho da carta:
Vimos manifestar nossa grande apreensão sobre as consequências que, com grande probabilidade, podem decorrer das alterações.
Dentre elas estão riscos regulatórios (contratos poderiam ser contestados) e sistêmicos (apagões, por exemplo).
“Todos nós sabemos, a duras penas, que não existe plano B para energia elétrica. Eletricidade não tem substituto e pior que kWh caro é a falta de energia que poderá ocorrer no futuro.”
Fonte : Blog : jogodopoder.wordpress.com


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ex-Presidente da Eletrobrás do governo Lula critica Dilma e sua política para o setor elétrico


Ex-presidente da Eletrobras no governo Lula disse que projeto de Dilma está errado

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, nesta quarta (21), o diretor da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletrobras no governo Lula, Luiz Pinguelli Rosa, afirmou que a “queda de 20% para a indústria é ficção e o consumidor não vai sentir os 16% prometidos por Dilma”.

De acordo com Luiz Pignelli, as medidas propostas por Dilma para o setor elétrico não irão reduzir os preços, inviabilizarão novos investimentos nas empresas geradoras de energia e irão gerar desemprego e produzir “sucessivos apagões”.

Leia a entrevista completa de Luiz Pinguelli Rosa.


Governo deve rediscutir tarifas de energia, diz ex-presidente da Eletrobras
DENISE LUNA
DO RIO

O diretor da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, apoia a briga da presidente Dilma Rousseff para reduzir as tarifas de energia elétrica, mas defende que o governo antes apure a receita mínima que as empresas do setor precisam para se manterem competitivas, sob risco de o país voltar a conviver com sucessivos apagões, como já vem ocorrendo em pequena proporção.

Opinião: MP da energia quebra contratos e joga a conta para os Estados

Para Pinguelli, a queda do preço da luz deveria vir pela redução de mais encargos, principalmente estaduais, que segundo ele "escorjam as empresas elétricas".

O acadêmico vê a privatização como a origem do mal das tarifas altas, comprovada pelo último ajuste da Light, de 11,8%, mas diz que o mal agora é a falta de debate, inclusive por parte dos movimentos sindicais, porque haverá demissões.

Para ele, a queda de 20% para a indústria é ficção e o consumidor não vai sentir os 16% prometidos por Dilma, já que a conta de luz em 2013 vai subir pelo grande uso de usinas térmicas neste ano.

Folha - O senhor já participou do governo e presidiu a Eletrobras. Como está vendo essa polêmica criada em torno da redução de tarifas?

Luiz Pinguelli Rosa - O princípio de reduzir tarifas é correto, porque nossa tarifa é caríssima. O problema veio com a privatização. Os contratos, principalmente para a distribuição de energia, onde as maiores empresas foram privatizadas, como Light, CPFL, Eletropaulo, foram muito favoráveis a essas empresas, porque a ideia era atrair o capital estrangeiro. Tem correções que são muito altas, como essa da Light. Mas isso é só um pedaço da história. O outro pedaço são os encargos, que muitos deles deveriam ir para o Tesouro e vão para o consumidor, como o Luz para Todos, o Sistema Isolado. E, finalmente, os impostos estaduais, esses são os piores, os Estados escorjam as empresas elétricas.

O consumidor residencial brasileiro chega a pagar, no caso da classe média, quando não tem tarifa social, cerca de R$ 400 reais o MWh, mas a geração custa R$ 68 o MWh, como está sendo em Belo Monte [hidrelétrica em construção no Norte do país].

Onde o governo errou?
Faltou debate, os prazos são muito apertados e o cálculo das tarifas [para redução] foi feito como se cada usina tivesse uma tarifa individual, mas há uma questão sistêmica, o Brasil tem um território enorme, essa energia viaja numa distância enorme. Furnas tem linhas enormes de transmissão, isso vai inviabilizar a engenharia de Furnas.

E qual seria a solução?

O governo deve voltar atrás, rediscutir as tarifas e talvez atacar por outro lado. Tem que discutir qual a remuneração necessária mínima para ter uma sobrevivência econômica adequada das empresas.
Não é uma questão de lucratividade, eu não estou preocupado com a lucratividade do investimento, mas com a viabilidade da empresa. Se a lucratividade for negativa a empresa é inviável. E vai se perder competência técnica, porque com essa tarifa nova Furnas vai ter que demitir engenheiros, vai perder memória técnica e piorar a performance delas, que já não está boa.

Mas as demissões não teriam reação por parte dos trabalhadores, principalmente de Furnas, que na época da privatização reagiram e conseguiram reverter o processo?

O ator que está faltando nesse debate é o movimento sindical, que já foi atuante e agora está enfraquecido. Houve uma acomodação muito grande dos sindicalistas, porque o governo tem origem sindical, os sindicalistas se sentem governo e ficaram mudos. Não sei como esse jogo vai acabar.


Mas a Eletrobras, que é a principal geradora, já concordou em aderir.

Ela só pode aderir, ou o cara perde o emprego. As federais todas vão aderir. Mas você pega por exemplo Furnas. A energia gerada tem preço médio vendido de R$ 80 o MWh. Metade das usinas de Furnas são amortizadas ou quase amortizadas, ou seja, ela vai passar a ter um valor médio de R$ 5 o MWh para essas usinas e continuar vendendo metade por R$ 80. Então Furnas vai ter um preço médio de R$ 40 o MWh, a receita da empresa vai se reduzir brutalmente.

A Eletrobras vai ter dificuldades, ela controla Furnas, Chesf e Eletronorte, todas vão ter dificuldades enormes, eu acho que vai haver problemas muito sérios.


O que pode acontecer?
Já estão acontecendo problemas, isso é falta de engenharia. O que vai haver é que não vai ter como operar o sistema todo, o país é imenso, como fazer a manutenção da linha, dos transformadores, eles já estão tendo problemas. O Zimmermann [Márcio Zimmermann, ministro interino de Minas e Energia] fez uma declaração que o último apagão foi um erro técnico. Isso é falta de engenharia, isso vai piorar, e muito.

Em contrapartida os preços das tarifas vão cair, ou não?

Na indústria esse número de 20% é fictício, não existe uma tarifa para energia da indústria, ninguém sabe como isso vai ser aplicado. Trinta por cento de energia elétrica da indústria brasileira são de consumidores livres, que compram diretamente dos geradores, produtores, em contratos confidenciais, e com certeza é bem menor do que a gente paga.
Nas residências esses 16% prometidos pela Dilma também não vão existir. Com o despacho das termelétricas esse ano, a conta vai subir bem no ano que vem, não vai dar para sentir os 16%.

E como a maioria das usinas não vai aderir ao plano do governo, o governo vai ter que licitar e as tarifas vão continuar altas, porque quem comprar vai ter que amortizar o investimento.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo




21 de novembro de 2012

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Aécio denuncia descaso do governo para com o setor elétrico nacional







Fonte: Folha de S.Paulo online

Link: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/aecioneves/1184038-energia.shtml



Energia – Coluna de Aécio Neves



Aécio Neves



12/11/2012 - 03h30



Ninguém questiona a necessidade de redução do custo da energia elétrica no Brasil. Mas já sabemos que a MP 579 vai muito além disso, alterando o marco regulatório do setor elétrico brasileiro. Como aponta o ex-ministro João Camilo Penna, o governo teria outras formas mais diretas para diminuir o valor das contas de luz pagas pelos consumidores, como uma maior redução de impostos. O caminho escolhido é complexo e, por isso, merece ser debatido com cautela, sem arroubos de intolerância.



Não é justo com o país reduzir medidas com desdobramentos tão amplos a um falso maniqueísmo que tenta colocar, de um lado, os que querem baixar o valor da conta de luz e, do outro, apresentar os que propõem o debate como meros defensores de interesses das empresas do setor.



Mais uma vez, pontua-se a forma desrespeitosa com que o Planalto trata o Congresso, ao fixar prazos que impedem a correta discussão do tema no Parlamento, alijando-o da sua legítima participação em decisão dessa envergadura.



Segundo especialistas, a MP 579 traz conteúdo que ignora a necessidade de expansão do setor elétrico, afugentando investidores e descapitalizando perigosamente as concessionárias. Ninguém sabe onde buscar os recursos para o acréscimo de 5 a 7 mil MW a cada ano necessários ao crescimento da economia.



Hoje o país está ameaçado de viver uma crise de abastecimento que poderia ser evitada se pudéssemos contar com mais 3,3 mil MW, caso as termoelétricas, vencedoras dos leilões de 2005, estivessem aptas a entrar em operação, mas esses projetos ou foram cancelados ou estão atrasados.



Considerando essas usinas canceladas e outras previstas para entrar em operação nos próximos anos, cujos projetos foram abandonados, temos quase 6 mil MW de redução na expansão esperada de geração, causando uma enorme incerteza quanto ao atendimento do mercado futuro.



A energia produzida por parques eólicos no Nordeste é uma alternativa com a qual ainda não podemos contar, pois as linhas de transmissão que deveriam conectá-la ao sistema não foram concluídas pelo governo federal. Essa falta de planejamento provocou o aumento do custo no mercado de curto prazo. No inicio do ano, o custo da energia no mercado livre era R$ 12,20 e agora chega a R$ 400,00.



Insisto: o tema é complexo e deve ser amplamente discutido também para que não seja aberto um precedente em relação à credibilidade dos marcos regulatórios no país.



Nos últimos anos o governo não deu atenção ao ponto mais importante para reduzir o custo da energia: um planejamento capaz de garantir a ampliação da oferta. E, como dizia o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, "energia cara é aquela que não existe".



AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras nesta coluna.



Aécio Neves é senador pelo PSDB-MG. Foi governador de Minas Gerais entre 2003 e 2010. É formado em economia pela PUC-MG. Escreve às segundas-feiras na página A2 da versão impressa.








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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Aécio Neves fala de energia, sustentabilidade e água potável


Aécio Neves , líder da oposição, fala de sustentabilidade em artigo no jornal Folha de São Paulo
Aécio Neves líder da oposição

Fonte:  Folha de S.Paulo - 11/06/2012 - Coluna de Aécio Neves


Rio+20
 
Aécio Neves

Mais uma vez o Brasil está no centro do desafio ambiental que mobiliza o mundo. Com a Rio+20, a comunidade internacional reúne as suas melhores esperanças para fazer avançar uma agenda comum e novas metas mobilizadoras para o desenvolvimento sustentável, que alcança também as questões econômicas e sociais.

Na condição de anfitriões da conferência global, é hora de nos posicionarmos com a convicção de quem, como eu disse antes aqui, pode se tornar o primeiro país desenvolvido com economia de baixo carbono, ampla participação de energias renováveis e práticas industriais, comerciais e agrícolas sustentáveis. Não podemos perder a oportunidade de contribuir para a fundação de um novo modelo de desenvolvimento -justo e solidário- que possa servir de referência.

Poucos países podem fazê-lo como o Brasil. Afinal, reunimos uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta; extensas áreas agricultáveis; o maior programa de biocombustíveis do mundo; um consolidado regime democrático, vivendo nossa era de bônus demográfico e uma exitosa experiência de redução da pobreza, construída nas duas últimas décadas.

Se a sustentabilidade global só será alcançada com os urgentes acordos e tratados internacionais de cooperação e novos mecanismos de financiamento, é também preciso que cada país enfrente com coragem os seus problemas e desafios locais.

Do Brasil se espera o exemplo. Avançamos, mas ainda convivemos com déficits vergonhosos. A destruição da vegetação natural -em especial, o desmatamento na Amazônia e as queimadas no cerrado- responde por mais da metade das emissões brasileiras de CO2 e coloca o Brasil entre os dez maiores emissores de gases de efeito estufa.

Ainda temos cerca de 40% dos domicílios inadequados para moradia. Nossas instituições públicas são obsoletas e burocratizadas, travando a competitividade do país. Cada um desses indicadores reúne nossos deveres e novas oportunidades para a economia e a sociedade. A construção do modelo de desenvolvimento sustentável, com novos padrões de produção e de consumo, se constitui na maior oportunidade de mudanças sociais e econômicas do século 21.

Não se trata mais de saber quanto custarão os ajustes necessários na era pós-petróleo que se aproxima, mas de como o nosso senso ético coletivo atenderá a demanda por energia, água potável, comida e outros insumos, exigidos pela inclusão de bilhões de pessoas em todo o planeta.

Que os frutos da Rio+20 reforcem nossos laços com as gerações futuras e sejam capazes de alimentar um novo modelo de desenvolvimento, com lucidez, coragem e a urgência do presente que o futuro exige.

AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras nesta coluna.

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